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● A PEÇA
Jorge Andrade é considerado um dos mais
importantes dramaturgos do Teatro Brasileiro
Moderno. Começou sua carreira teatral de forma
bastante curiosa. Em 1951, ao assistir a peça O
Anjo da Pedra, de Tenessee Williams, no TBC,
sentiu desejo de ser autor.
Depois do espetáculo, procurou Cacilda Becker,
que protagonizava a peça e foi então que ela
aconselhou-o a ir para a Escola de Arte
Dramática EAD, onde reafirmou e desenvolveu sua
vocação de dramaturgo. Grandes autores da
dramaturgia universal, tais como Ibsen,
Tchekhov, Arthur Miller, O'Neill e Tenessee
Williams foram referências muito importantes
para a obra de Jorge Andrade. Porém, o centro da
sua dramaturgia é ele mesmo e por extensão o
Brasil. As experiências e vivências pessoais
foram o núcleo de uma reflexão que foi se
dilatando através da geografia e da história até
constituir um painel como não há outro pela
extensão e coerência em nosso teatro. As suas
primeiras peças "A Moratória" e "O Telescópio"
examinam com muita propriedade e penetração o
ambiente social que ele conheceu em menino, de
fazendeiros atrasados nos costumes e métodos de
trabalho a aristocratas quanto a mando mas
simples e rústicos na sua maneira de ser. Depois
vieram as peças que retratam a aristocracia
cafeeira decadente, a linhagem dos paulistas de
quatrocentos anos que encontram na união com
imigrantes enriquecidos - uma fusão de correntes
sanguíneas e monetárias - a solução para suas
agruras econômicas ( A Escada, Senhora da Boca
do Lixo e Os Ossos do Barão). Maduro para deixar
sua classe Jorge Andrade escreve então "Vereda
da Salvação". Neste texto ele vai ao outro
extremo da escala social e moralmente. Um
episódio real, noticiado pelos jornais e
estudado pelos sociólogos, enseja-lhe um
mergulho na questão do messianismo popular.
Vieram então suas três últimas peças que
refletem as preocupações mais fundamentais de
Jorge Andrade: "Rasto Atrás", utiliza a metáfora
da caçada para destacar o conflito entre pai e
filho ou entre a incipiente vocação vocação
literária de um rapaz e o resistente mundo
agreste em que vive. " As Confrarias" também se
utiliza de metáfora só que desta vez histórica
Inconfidência Mineira revelando a eterna
fragilidade do teatro em busca da sua função
social. "O Sumidouro" aborda o tema intrincado
das relações entre autor e personagem, através
do tema do bandeirismo paulista, sob uma
perspectiva nacionalista e popular moderna,
fechada uma trilogia que aborda o artista
enquanto homem, em luta contra obstáculos e
preconceitos.
Foram oito as versões feitas por Jorge Andrade
até que se chegasse a forma definitiva de Vereda
da Salvação, trabalho iniciado em 1957 e
finalizado somente quando o espetáculo foi
encenado no Teatro Catulé, na fazenda São João
da Mata, pertencente ao município de
Malacacheta. Meeiros que eram membros da Igreja
Adventista da Promessa, exaltados pelo ardor
religioso da Semana Santa, mataram quatro
crianças que estariam possuídas pelo demônio, e
reviveram a sua maneira a paixão bíblica. A
polícia, chamada pelo fazendeiro, liquidou com
armas aquele desvario e o tema, depois de
exploração sensacionalista de alguns jornais, se
prestou a exegeses psico-sociológicas de grande
interesse. Na passagem da realidade ao teatro o
autor mostra seu amadurecimento. Jorge Andrade
tema a cautela e o fato de ficcionista para
temperar as intenções com uma dosagem objetiva
de instintos e de fenômenos puramente naturais.
Sustenta a trama um conflito de personagens
próximos do prosaico, uma inter-relação de
personalidades que se basta no território
humano. O substrato do grupo do Catulé não se
diferencia das motivações psicológicas
responsáveis pelos atritos normais em todas as
coletividades o desejo de poder, luta pela
liderança, o ressentimento do fraco pelo forte,
os problemas do sexo extravasando em atitudes
públicas, a procura de um sentido para a vida.
Quando as soluções terrenas para tais problemas
não se mostram eficientes, ganham corpo as fugas
sobrenaturais e o grupo do Catulé se dispões a
abdicar aos valores palpáveis, em troca da
prometida felicidade eterna. Para que a verdade
salvadora seja mais acessível , tanto maiores
devem parecer as provações. Num aglomerado que
já desesperou das melhorias materiais, o chefe
cede o lugar ao líder religioso, e Manoel se
eclipsa em face de Joaquim. As várias
personagens não estão na peça para ilustrar um
problema teórico ou para a réplica aos
protagonistas. Jorge Andrade soube
transmitir-lhes consistência carnal, e assim os
conflitos, antes de atingirem uma ressonância
transcendente, se resolvem no plano das relações
humanas. São quatro as personagens centrais de
Vereda. Enquanto a situação se acha mais próxima
dos elementos terrenos, o primeiro casal (Manoel
e Artuliana) domina a cena. À medida que se
impõe a fuga mística, mãe e Filho (Joaquim e
Dolor) tomam a dianteira, e os agregados se
curvam a sua influência. No correr da ação
afirma-se a vitória do místico sobre o terreno,
transformando a fraqueza em força, a
insuficiência terrena em signo e
sobrenaturalidade. Os outros meeiros do Catulé
completam a ambientação formando pano de fundo
indispensável para o desenvolvimento da trama.
Onofre (representante da Igreja Adventista,
visita o grupo para pregações periódicas),
Geraldo (filho de Manoel, se revolta contra o
pai e fica ao lado de Joaquim), Ana (fiel ao
Catolicismo, reage com bom senso ao fanatismo),
Germana e Conceição (adeptas fervorosas do
Adventismo, se entregam a possibilidade de
salvação divina): homens e mulheres que não tem
por base uma visão realística da nova sociedade
e das novas relações de trabalho ma que guardam
na esperança utopística de que o cumprimento
escrupuloso de uma norma da vida lhe há de valer
a salvação da alma. Enfim Jorge Andrade
equilibrou a linguagem espontânea com uma
inteligente transição do vocabulário popular,
que ressoa para o público como poderoso fluxo de
poesia.
●
FICHA
TÉCNICA
Autor:
Jorge Andrade
Direção: Sérgio Ferrara
Elenco
O
Elenco é formado pelos alunos do 7º
Termo:
Álvaro Franco - Joaquim/Agregado
Carlos Morelli - Zé Doido
Cátia Pires - Ana/Germana
Daniela Casteline - Dolor
Fábio Costa - Geraldo/Agregado
Fábio Parpinelli - Geraldo/Agregado
JoazCampos - Manoel
Jonathan Faria - Pedro
Lavínia Lorenzon - Ana/Germana
Luiz Araújo - Joaquim/Agregado
Marcelo Braga - Onofre/Agregado
Marcia Martins - Artuliana
Melissa Vaz - Durvalina
Caléria Pontes - Conceição
Atores Convidados:
Enrodine Magalhães - Daluz
Paula Arruda - Jovina
Tay Lopes - Agregado
Direção:
Sérgio Ferrara
Assistente de Direção: Walter Portela
Cooodenação de Oficína: Luis Damasceno
Espaço Cênico: Marcelo Denny
Iluminação: Mário de Castro
Operador de Luz: Mário de Castrp
Sonoplastia: Sérgio Ferrara
Operador de Som: Emerson Nepomuceno
Figurinos e Adereços: Acervo EAD
Preparação de Canto: Andrea Kaiser
Melodias das Músicas: Joaz Campos
Preparação Vocal: Mônica Montenegro
Montagem de Luz: Marcucci
Produção Executiva: Bertha S. Heller
Produção Gráfica: Fábio Costa
Fotos: Jefferson Pancieri
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