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O Senhor Paul

● A PEÇA
O senhor Paul (Herr Paul, ein Stück) é uma parábola sobre o confronto do novo com o velho. O senhor Paul é um velho conservador que mora numa fábrica de sabão em ruínas, alvo da ambição do jovem carreirista Helm, que pretende expulsar o antigo morador do imóvel que acaba de herdar. Afora seu prazer pela boa comida e, antigamente, pela leitura, o senhor Paul nunca desenvolveu nenhuma paixão especial seja pelo que fosse, o que lhe rendeu uma considerável cintura, uma profunda cultura e uma digna pobreza. E também a consciência  de uma característica básica de sua própria existência, à qual sujeitos muito ocupados dão valor quando a perdem:"Eu sou um homem livre, não possuo nada, nada me pode ser tirado!"

Quando outros personagens circulam nesse espaço oclusivo que representa metaforicamente a Alemanha após a queda do Muro: um país onde a maioria conservadora tem de enfrentar o choque do novo. Schwarzbeck é o capitalista que atiça Helm a despejar o velho da fábrica para instalar um novo negócio. Luise, irmã de Paul, só tem olhos para o mundo da ópera e é quem lhe traz notícia de fora, que, aliás, não lhe interessam. Lilo é a namorada de Helm, e Anita amiga de Paul e única a visitá-lo, é uma menina com deficiência mental.

Tankred Dorst escreveu Senhor Paul na década de 50, depois de uma tentativa frustrada de manter e funcionamento uma fábrica de sabão que herdara do avô e numa época em que a República Federal da Alemanha acelerava o processo de reconstrução do país.
Reescreveu o texto várias décadas depois, e, nas várias montagens realizadas na Europa, ele é interpretado coma uma reflexão sobre os conflitos provocados pela reunificação das duas Alemanhas.

O diretor Sérgio Ferrara faz não a leitura política mas sim existencial da peça de Dorst."O velho senhor Paul é o homem que viveu, tem experiência e não quer mudanças e não tem experiência."

Um confronto entre uma personalidade ativa e outra passiva, o que, segundo Dorst,"é um dilema do ser humano em qualquer parte do mundo".

O AUTOR
Tankred Dorst nasceu em 1925 em Oberlind, um vilarejo nas cercanias de Sonneberg, na Turíngia. Escreveu mais de trinta peças (grande parte em parceria com sua mulher e colaboradora, Ursula Ehler), enter elas Toller (1968), Era Glacial (1973), Merlin ou A Terra Deserta (1981) e O Senhor Paul (1994).
Dorst é, hoje, aos 72 anos, o autor mais conceituado da cena alemã contemporânea.

A disputa pelo poder é o tema mais caro a Tankred Dorst.
Ela Está presente em várias de suas obras, e, como todo bom autor, Dorst volta obsessivamente ao mesmo tema de tempos em tempos. também a ligação do autor com o passado alemão passa por Brecht e pelo teatro épico. Em sua obra, Dorst tenta, segundo suas palavras, "colocar ordem em um mundo falido".

Portanto, a impressão que se tem das peças de Dorst é que ninguém consegue encontrar um interlocutor. Indivíduo e sociedade não combinam. Assim, o encanto do texto do alemão Tankred Dorst só rivaliza com sua desesperança.


A COMPANHIA

A Companhia de Arte  Degenerada foi formada há dois anos por artistas de várias áreas e escolas, sob a direção geral de Sérgio Ferrara. O senhor Paul é a terceira montagem da companhia, que anteriormente realizou os espetáculos Lulu, de Fank Wedekind, a apresentado em 1996-97 no Centro Cultural São Paulo, e Antígona, de Sófocles, selecionados para a Jornada Sesc de Teatro 1997.

● VOCÊ SOFRE PORQUE QUER VIVER.

A capacidade de "pensar" teatro leva algumas vezes ao encontro de possíveis pontos de harmonia e equilíbrio.

As idéias brotam de nossas cabeças como flores no jardim, e nossos pensamentos viajam como verdadeiros devaneios poético de Bachelard. Transportar nossa imaginação para o palco é um esforço coletivo, onde a colaboração e a criatividade são a resposta à nossa expectativa. É o que nos faz viver, ser e não ser.

Um dia, ao chegar para o ensaio, ouvi os atores conversando sobre teatro,  dificuldades econômicas  e falta de patrocínio. Um deles perguntou: porque insistimos em fazer teatro? Outro respondeu: talvez do causa do ego. O mesmo ator que fizera a pergunta sabiamente concluiu:talvez seja para o ego, mas é um exercício!

Sim, é um exercício constante do lapidar da sensibilidade do indivíduo que luta para tornar-se  alguém porque quer viver. Portanto, só  me resta ativar o princípio da esperança, e desejar um futuro que dure muito, tempo, carregando de determinação, disciplina e muito exercício teatral.

FICHA TÉCNICA

De Tankred Dorst
Colaboração Ursula Eheler
Direção
Sérgio Ferrara

Elenco

SR. Paul  Luiz damasceno
LIlo Iara Jamra
Helm Marco Antônio Pâmio
Luise Beatriz Tragtenberg
Anita Silvana Pimpinato
Schwarzbeck Klaus Novais

Equipe Técnica

Tradução Walter C. Portella
Cenário Cláudio Cretti
Figurinos Beti Antunes
Assistente de Figurinos Claudemir Lara
Luz Caetano Vilela
Operador de Som Ivan Parente
Fotos Marta Dias
Direção de Produção Bia Venturini

● AGRADECIMENTOS

Rosi Campos . Ary Brand; Ermeson Menezes . Roberto  Cohen; Marcelo Salles  . Osley José; Sandra Falconi . Miguel Teixeira; Luiz Paterno . Dieter Strauss; Bruno Fischli . Carminha F. Góngora; Mariane Hemessath.

● PRÊMIOS

- SR. Paul - Prêmio Mambembe
- Melhor Ator -
( Luiz Damasceno)
- Melhor Atriz Coadjuvante - ( Bia Tragtenberg)
- Melhor Cenário - ( Claudio Cretti)
- Melhor Iluminação - ( Caetano Vilela)
- Melhor Espetáculo
- Indicação Prêmio Shell - Melhor Ator - ( Luiz Damasceno)

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