● LULU DE WEDEKIND
Em torno da personagem Lulu, o dramaturgo alemão Frank Wedekind (1864-1918) escreveu duas peças. No titulo de ambas pode-se ouvir algo do mito da origem da mulher, tal como se encontra no relato teogonico de Hesíodo. Tanto o Espírito Telúrico (Erdgeist, 1898) como A Caixa de Pandora (Die Büchse der Pandora, 1904) apresentam uma Lulu conhecida à semelhança da Mulher Original grega, que foi modelada da terra pelo coxo Hefesco segundo a vontade de Zeus. Só que a beleza dessa criação – de um ser “ser em tudo parecido a uma casta virgem”- não alivia o efeito de suas ações: “Criou mulheres que, por toda parte fazem obras de angústia e deu aos homens, em lugar de um bem, um mal.”
A Lulu de Wedekind é também um mal belo e originário. Seu caráter típico deve tanto aos atributos da tradição clássica (a inconstância, a fragilidade, a mobilidade e vaidade do desejo feminino) como á tradição modernista que, nascendo à época da peça, passaria a adotar o projeto estético de “expressar no palco os estados da alma.”.
Lulu representa, é certo, uma amoralidade do Desejo.
É apresentada como uma “fera selvagem.” Traduz um idealismo invertido em que as matrizes não se localizam mais no plano transcendental, porém no inconsciente.
Vários aspectos do Expressionismo já se anunciavam na obra de Wedekind.
Como dramaturgo, no entanto – talvez uma das razões se sua riqueza-, ele ainda não estava desapegado das formas teatrais anteriores. Num texto como A Caixa de Pandora há traços românticos, naturalista e do teatro popular. O interesse pessoal de Wedekind pelo Circo (era fascinado pela marginalidade desse universo) e pelo cabaret (ele compunha e cantava canções políticas) contagiaram sua obra com a mesma liberdade de gêneros e estilos. Assim como ocorre num picadeiro, sua dramaturgia propõe “números” que poderiam suscitar o grito ou a gargalhada. Mas a confusão deliberada entre o melodrama e a farsa impede que essas experiências ocorram de uma forma pura. Wedekind nos veda o riso, o temor ou choro diante de suas feras, acrobatas, palhaços, charlatães e domadores. Prefere que vejamos o grotesco e o patético de sua condição, que é também a nossa. Prefere que sintamos desejo e repulsa por eles, nojo e volúpia, angustia e fascínio, sem saber ao certo onde um sentimento se distingue do outro.
Sérgio de Carvalho
●
FICHA TÉCNICA
Autor: Frank Wedekino
Tradução: Renata Pallotini
Direção: Sérgio Ferrara
ELENCO
Deborah Lobo: Lulu
Valter C. Portella: Schigolch e Dr. Ludwig Schoen
Denis Goyos: Alva Schoen
Anette Najman: condessa Marta Gerschwitz
Klaus Novais: Rodrigo, o acrobata
Eduardo Semerjian: Schwartz, o pintor / Jack, o
Estripador
Doroty Rojas: Adelaide / Coro
Débora Ferruço: Coro
Luiz Galasso: Hugemberg / Coro
Osley José: Madame Casti
Cenário / Figurinos: Luis Rossi
Iluminação: Caetano Vilela
Som: Raul Teixeira
Maquiagem: Osley José
Fotos: Ary Brandi
Circo Grafitti Produções: Rosi Campos
Produções Executiva: Sérgio Ferrara / Ary Brandi /
Eduardo Semerjian
Consultoria de Pesquisa: Eudinyr Fraga (USP)
Miguel Chaia (PUC)
Trabalho Corporal: Rita Alves / Valter C. Portella
Trabalho Vocal: Sérgio Ferrara
Dança Oriental: Yoshio Fujima
Desingn Gráfico: Marco Lopes
Designer de Ferro: Karim Akl
Divulgação: Paula Micchi
Operação de Luz: Alexandra Bortolin
Operação de Som: Ivan Parente
Poesia de Hugemberg: Walderez Cardoso Gomes
●
AGRADECIMENTOS
Aderaldo Maia
Biblioteca Pública Monteiro Lobato
Luiz Alberto Zakir
Denise Martha
Sesc
Léo Lama
Dieter Strauss (Instituto Goethe)
Cristiano Burlam
Alexandre Franco
Marcelo Campos
Marcio Cabral
Mika Wineaver
Yoshika Fujima
Miguel Falci Jr.
Marcelo Diniz
Manuel Grau
Rosana Benetton
Susan Perason
Denise Peyri
Antonio Peyri
Silvio Luis Capaverde |
Clique para Ampliar !




 |