●
DE INÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
Este texto não é uma biografia de Jorge Borges,
nem uma interpretação de suas obras. É uma
ficção a partir de alguns de seus referenciais,
obsessões, manias, idiossincrasias, medos,
fascínios, lembranças, visões, truques, fraudes
deliberadas, ironias, sarcasmos, magias. Este
texto é uma possibilidade, viagem de aventuras e
fantasia possível de ser vivida por qualquer
criador, já que a literatura de Borges
possibilita caminhos por dentro do não ser.
Trata-se de evocação e homenagem pela ampla
liberdade que ele mostra ser possível nos
fazendo penetrar em mundos que suspeitamos
existir, queremos que existam. Para Pedro
Delboni Brandão, que nasceu no momento em que
procuro um novo caminho e inauguro um novo
período em minha vida, o de avô. Para Maria e
Sérgio Ferrara, responsáveis pela idéia, mas não
pela possível má qualidade do texto. Eles me
desafiaram e induziram a fazer esta evocação ou
alegria e me levaram a descobrir Buenos Aires,
um encantamento. Para Jorge Schwartz que me
orientou por dentro de três mil paginas de
Borges. E indicou um material complementar vasto
e extenso, impossível de ser percorrido em
poucos meses, o prazo que tive para estruturar
um texto que permanece aberto e será revisto,
corrigido, modificado e aumentado a cada
leitura, representação, releitura de Borges.
Submersas nos diálogos existem referencias e
algumas citações encobertas que vêm de Fervor de
Buenos Aires, O Memorioso, A Biblioteca de
Babel, O Deserto, On his blindness, O Aleph, o
Imortal, A Morte e a Bússola, Cidade dos
Imortais, Poema dos Dons, Poema Conjetural,
Insônia, O Livro dos Seres Imaginários. No texto
original da peça cada citação está devidamente
localizada, entre aspas, com indicação da
história e volume.
A Última Viagem de Borges evoca a trajetória de
um homem em busca da palavra perdida, a mais
perfeita das palavras. Juntamente com Sherazade,
Richard Francis Burton e Funes, “o memorioso”,
este homem - o próprio Jorge Luis Borges – se
lança num longo percurso até a Biblioteca de
Babel, onde se encontram todas as palavras
perdidas. Esta peça procura recontar e recriar o
universo borgiano através de imagens criadas
pelo autor, reconhecendo e legitimando o caráter
ficcional da construção literária que, através
do teatro, será atualizado como um ritual de
passagem e autoconhecimento da personagem
central. O texto literário de Jorge Luis Borges
é uma referencia imprescindível para se
expressar o nosso século como sendo dominado
pela ausência de limites entre a realidade e a
imaginação. A consciência, para Borges, emana da
exploração da Biblioteca, espaço real e
labiríntico formado por galerias, cantos que se
perdem no infinito e que acolhe os mais
distintos livros, depoimentos vivos do mundo,
livros esses que, ao mesmo tempo em que nos
aprisionam, nos libertam. É a eternidade do
infinito, brincando de imortalidade com os
homens através dos livros. A Última Viagem de
Borges levará a um caminho que não tem volta. E
a opção deve ser de cada um: seguir ou não esta
jornada.
●
QUANDO EU DISSER: AGORA!!!
É impossível materializar em espaço tátil,
pisável, real, o inimaginável percurso de Jorge
Luis Borges. Mas é possível tentar expressar
descondicionada fuga de espantos neste
redemoinho atemporal que é “a última viagem...”
e finalmente, sobreviver com material
significante graças à rubrica vastíssima de
Ignácio de Loyola Brandão, que desbasta para o
desenhador (no caso desenhadora) nutrição
completa e já visualizada. Não bastasse, nesta
infernal intranqüilidade, ainda temos mansamente
proposta a turbulenta direção de Sérgio Ferrara
que recupera para o espetáculo até a íntima
respiração dos sonhos de seres que percorrem
esta jornada fantástica, as penunges e os
miasmas todos... Sérgio e Ignácio, cada um me
segura por uma mão e me propõem, com o mais
inocente sorriso nos lábios, um salto no vácuo e
os três já temos certeza que este salto será sem
duvida um dos melhores momentos de nossas vidas.
Preocupa-se, portanto, contaminar com esta
experiência única de beleza e de história ao
maior número de aficionados “do gesto arte”.
Vamos! Todos juntos e abrir os olhos apenas
quando eu disser: Agora!!!
●
FICHA TÉCNICA
Texto: Ignácio de Loyola Brandão
Direção: Sérgio Ferrara
Cenografia / figurinos: Maria Bonomi
Elenco:
Luiz Damasceno
(Borges)
Flávia Pucci (Maria /
Sherazade)
Marco Antônio Pâmio
(Bibliotecário Imperfeito)
Olayr Coan (Funes)
Fernando Pavão (Richard
Francis Burton)
Rodrigo Bolzan (Menino /
Cartógrafo)
Iluminação: Caetano
Vilela
Sonoplastia: Sérgio
Ferrara
Produção: Marco Aurélio
Nunes
Assistente de Cenografia:
Carlos Pedreañez
Colaboração em Cenografia:
Leonardo Ceolin
Projetos Especiais:
Alexandre Martins
Assistente de Iluminação:
Rosely Marttinely
Operador de Luz:
Jefferson Bessa
Operador de som:
BrunoHenrique Natele
Fotos: Carlos Pedreañez,
André Brandão
Edição de Som: Sérvulo
Augusto
Preparação Vocal: Edi
Montecchi
●
AGRADECIMENTOS
Fauzi Arap
Gracia Cataldi Cuoco
Jorge Schwartz
José Rubens Chacha
Laerte Mello
Ligia Cortez
Lulu Librandi
Maria do Carmo Dias
Batista
Maria Luiza Mendonça
Rodrigo Lombardi
Reinaldo Soares
Sérgio Escamilla
Sérgio Viotti
●
PRÊMIOS
Indicado Prêmio Shell de Melhor Cenário - (Maria Bonomi) |
Clique para Ampliar !





























 |