● QUEM TEM MEDO DE PLÍNIO MARCOS?
Plínio Marcos bebe na fonte mais pura do
realismo, tornando suas personagens, seres de
carne e osso, com uma organicidade quase
agressiva.
Excluídos e cheios de desesperança, esses seres
buscam por uma identidade qualquer que os torne
menos marginais.
Em termos políticos, a situação social do país
não mudou muito, ou seja, há hoje mais gente
vivendo no abandono e no desespero em que se
apresentam as personagens de Plínio Marcos. Quem
cruzar por este caminho poderá investigar o que
sobra do ser humano privado de liberdade e
esperança. Sobra pouco, e no entanto, esse pouco
ainda lhe pode ser tirado.
Esse é o
princípio que torna a obra de Plínio Marcos
contemporânea, revelando-nos na desesperança
desses seres marginais a fé na reconstrução de
algo melhor nesse mundo tão corrompido pela
falta de ética e moral.
O entendimento
desse universo deve partir de um estudo
profundamente humano e sem nenhum esteriótipo,
baseado numa opção clara que fiz como diretor
que é trabalhar a essência dessas personagens
próximas à do animal e a sutileza dos jogos de
relações no intuito de afiar e aprimorar o
instinto de sobrevivência.
Na peça
ABAJUR LILÁS, as personagens percorrem uma
trajetória que vai dar mais uma adjeta
degradação física e normal até uma revolta pela
existência dessa miséria que nos invade.
Cafetões, prostitutas, mocós e o escambau, eis
ABAJUR LILÁS, peça em que Plínio Marcos
mergulhou com mais contundência no universo
daqueles que vivem à margem da vida.
O tempo acabou
por revelar uma desumanidade que existe no
texto, delineando um perfil humano e comovente
das prostitutas, Dilma (Esther Góes), Célia
(Magali Biff), Leninha (Lavínia Pannuzio)
e do cafetão velho e decadente Giro (Francarlos
Reis), aprofundando, num corte vertical da
realidade, a bizarra condição humana.
O patético
retrato do submundo se amplia para macrocomos
do duro relacionamento na vida atual. Despidas
de valores que trans-mitem transcendência á vida
humana, as personagens exemplificam o horror da
exploração, quando um se converte em objeto para
o outro e só resta o gosto da miséria.
●
FICHA
TÉCNICA
Autor:
Plínio Marcos
Direção: Sérgio Ferrara
Elenco
Esther Góes
Fancarlos Reis
Magali Biff
Lavínia Pannzio
Elder Fraga
Cenário:
J.C. Serroni e Laura Carone
Iluminaçaõ: Caetano Vilela e Sueli Matsuzaki
Figurinos: Elena Toscano
Trilha Sonora: Sérgio Ferrara
Visagismo: Claus Borges
Criação/Produção: N Publicidade
Ilustração da Capa: Gustavo Lanfranchi
Fotos: Jefferson Pancieri
Maquiagem das fotos do progama: Velany
Edição da Trilha/Mixagem: Estúdio Sax So
Funnny
Captação de Imagem: Bruno Serroni
Edição de Imagem: Pablo Casella e Bruno
Serroni
Assessoria de
Imprensa: Xicão Alves
Operação de Luz: Willian Figueiredo
Equipe de Apoio: Ricardo Santana e
Luciano Dias Moura
Produção Executiva: Jô Santana e Maria
Stela Tobar
Administração: Ailson Barcos
produção Geral: Jô Santana
Realização:
Jô santana e Sérgio Ferrara
●
AGRADECIMENTOS:
Adriana
Pannunzio;
Ângela Barros;
Ângela Lombardi;
Antônio Carlos Sartini;
Carlos Pinto;
Carol Tobar;
Cássio Brasil;
César Brandão;
Claus Borges;
Edna Moura;
Emerson Nigro;
Fauzi Arap;
Frederico Antoniazzi;
Gabriel Mendonça;
Gabriel Vilela;
Iara Jamra;
Johnny;
Kiko de Barros;
Lau;
Lima Duarte;
Lucia Camargo;
Luis hajnal;
Marcelo Tobar;
Marco Antônio Brasilino da Silva;
Marco Antônio Brás;
Marcos Tidellmann;
Maria Merlino;
Marta Colabone;
Marta Pannunzio;
Ricardo Iazetta;
Sérgio Kherlakian;
Vera Artaxo;
Victor Aronis;
Wagner Yshihara;
Zeca Bittencourt;
Zezeh Barbosa.
●
DOLOROSAMENTE ATUAL
Acompanhei de
perto a jornada dessa montagem, iniciada em
1999, quando Plínio, encantado com a "Barrela"
concebida por Sérgio Ferrara, lhe confiou "O
Abajur Lilás". O texto é da safra de 69; foi
proibido em abril de 70 e permaneceu na gaveta
da censura por uma década; provocou profundo
impacto em sua estréia nacional e teve inúmeras
versões regionais durante 20 anos. Ganha
novamente o palco de São Paulo graças ao empenho
de Sérgio e Esther Góes, que tocaram seu projeto
com determinação, entusiasmo e independência -
no melhor estilo Plínio Marco.
Nos idos de 75,
num ousado empreendimento, Américo Marques da
Costa produziu uma montagem dirigida por Antonio
Abujamra. Mas proibição foi ratificada,
abortando a estréia. Plínio não deu por vencido
e impetrou um mandado de segurança, negado meses
depois. O texto só foi liberado em abril de 80 -
junto com "Barrela", aliás. Logo ganhou o palco
sob a direção de Fauzi Arap (do elenco
original, apenas o nome de Walderez de Barros se
manteve), com enorme sucesso.
Engalfinhados
nos conflitos travados num sórdido mocó, os
personagens colocam em pauta o jogo de força
atuantes na sociedade. A despeito de todos os
possíveis significados dos personagens, eles são
gente. Gente que vive, sofre ou faz sofrer,
explora ou é explorada, alimenta expectativa ou
esperanças, tem consciência ou está perdida. A
história dessa gente se basta em si mesma,
independente dos modelos sociais abordados. A
trama, escrita há mais de 30 anos, transcende o
momento, a circunstância. O nosso submundo, o
que habita em cada um de nós, está lá, com todas
as letras; nisso reside a validade a peça.
Como em toda obra do autor," O Abajur Lilás"
expõe a alma humana. A Montagem do Sérgio é
valente e bela, comovente e bem-humorada; ele
construiu um espetáculo dialético (palavra de
parco uso hoje).
Plínio gostou
tanto de "Barrela" que foi ao Teatro Eugênio Kusnet muitas noites durante a temporada da peça
- não, não era pra vender livro na porta, que a
saúde já não permitia.
Vi as
pré-estréias em Curitiba e em Santos desse
"Abajur Lilás"; se o Plínio estivesse aqui, com
certeza faria ponto TBC agora.
● PRÊMIOS
Prêmio
Qualidade Brasil Melhor Atriz - ( Esther
Goes)
Indicação prêmio Shell Melhor Ator - ( Francarlos Reis)
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